21
Nov 11

António Barreto, a produtividade, as pontes e os feriados nos vários países

Depois de ler esta notícia relativamente à opinião de António Barreto sobre o corte de pontes e feriados, decidi ir investigar sobre qual seria a proporção entre Portugal e os restantes países do Mundo.

Assim sendo, em seguida, encontra-se a listagem dos feriados por país, ponto onde a Wikipedia, como sempre, traz dados muito interessantes:
Lista de feriados por país.

A análise destes dados fica ao cuidado de cada um, mas deixo só uma pergunta para concluir: como se pode compreender que a função pública tenha tido durante tanto tempo um estatuto que lhe permitia ter dias de férias extra (pontes e tolerâncias de ponto) contrariamente a todos os restantes trabalhadores?


20
Nov 11

Ainda sobre o jornalismo de WC da Sábado, o Tubo de Ensaio, por Bruno Nogueira e João Quadros

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2132157
- Tubo de Ensaio, TSF (Autoria: Bruno Nogueira, João Quadros)


17
Nov 11

A Sábado, “A ignorância dos nossos universitários” e o jornalismo de WC

O vídeo da Revista Sábado acerca da suposta “Ignorância dos nossos universitários” é este: Reportagem da Sábado

A resposta do (até agora incógnito) João Ladeiras diz tudo o resto:

Fui eu quem respondeu Miguel Arcanjo à questão “Quem pintou o tecto da Capela Sistina?” Agora que vos consegui cativar a atenção, tenho a dizer que o papel da Sábado foi puramente ignóbil, tendo dado instruções completamente opostas àquilo que se pode constatar tanto no vídeo, como também na revista publicada hoje. A verdade é que me fizeram 10 perguntas e só mostraram a que eu errei que, como podem comprovar os que se encontravam presentes, acabei por corrigir e responder, então, Miguel Ângelo. Em todo o caso, a minha resposta deveu-se ao simples facto de ter frequentado o Externato São Miguel Arcanjo e, ao mesmo tempo, com a pressão da própria entrevista, dei essa mesma gafe – corrigindo-a assim que apercebi -. De acrescentar que quando concluída a entrevista, fiquei à conversa com a jornalista Inês Pereirinha, perguntando-lhe se esta mesma entrevista ia ter semelhanças a uma que o programa 5 para a meia noite já teria feito, tendo obtido uma resposta negativa a este meu comentário. Todavia, para além de ter sido humilhado como nunca tinha sido até à data, ficou em causa o bom nome da instituição que eu frequento – ISPA – IU -, sendo considerada a melhor instituição de ensino na área da Psicologia. Acabei por ser vilipendiado em praça pública, sentindo-me completamente desolado. Acho-me uma pessoa culta que, durante o trajecto Casa-Escola, Escola-Casa, que tem uma duração aproximada de 2h30/3h diárias, lê os jornais gratuitos que consegue adquirir e, ao mesmo tempo, é assinante da revista Visão. Há tanto assunto que poderia ser discutido, como a abolição do desconto de 50% nos passes sociais que, assim, me vão obrigar a pagar cerca de 85€ mensais, ficando-me mais barato dirigir-me à faculdade de carro. Já tentei contactar a jornalista Inês Pereirinha por 2 vezes, acabando por nunca obter qualquer tipo de resposta. Deixo-vos com uma das mensagens que enviei para a jornalista e, aproveito para anunciar, que estou a reunir todos os elementos necessários para processar a jornalista em causa e, igualmente, a revista Sábado.
“”A ignorância dos nossos universitários”, se se sentir bem com o trabalho que realizou, digo-lhe, com tristeza, que você e os restantes colegas são ignóbeis. Vou ainda dirigir-me às autoridades competentes para apresentar uma queixa formal sobre o uso indevido da minha entrevista, sabendo você qual a razão dessa mesma denúncia/queixa. O que mais me impressiona é a generalização que vocês fazem e, mais gravoso, apresentarem ao público uma imagem dos universitários somente com as gafes dos mesmos, não tendo em conta qualquer tipo de pressão momentânea, nem referindo que foi elaborada e apresentada uma panóplia de perguntas a cada universitário.”"

Extraído do Facebook em https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=294973387193648&id=100000429668770

Belo jornalismo de WC.


21
Mai 11

“Descubra aqui em quem votar nas eleições” por Pedro Couto e Santos

Não tenho nada a acrescentar a este texto. Está aqui tudo o que me vai na alma…

Cavalgamos inexoravelmente para eleições legislativas e acho que é chegada a altura de fazer uma intervenção ao país.
As pessoas estão confusas. Quem sabia sempre onde votar, agora não sabe. Quem estava quase certo que depois do PS, votaria PSD, já não tem a certeza. E, no geral, muita gente está a gostar imenso dos vídeos do Paulo Portas de camisa aberta e já ninguém se lembra dos submarinos, porque ele é tão videogénico.
Existem inúmeros equívocos em circulação.
Por exemplo, algumas pessoas acham que o PS é culpado da situação do país – pois se eles estiveram 6 anos no governo… E para isso, contribui, claro, os outros partidos que estão sempre disponíveis para dizer a alto e bom som que José Sócrates e a sua mafia deu cabo disto.
Mas não é verdade.
Outras pessoas ainda, com uma visão um pouco (mas não muito), mais abrangente dirão que não, que a culpa não é do PS – ou não só; a culpa é de todos os partidos políticos. Confesso que cheguei a pensar assim e andei por aí a apelar ao voto em branco e essas coisas.
Depois, felizmente, passou-me.
Há quem defenda que os problemas do país são inteiramente culpa da globalização e das políticas capitalistas do mundo ocidental em que vivemos e que não dá hipóteses a um país pequeno, com poucos habitantes, como o nosso.
Também não é verdade.
Mas não vos deixo mais em suspenso: ninguém tem culpa de nada, não foi cometido nenhum crime senão o de existirmos e sermos portugueses. Aqui ninguém faz nada, aqui somos assim. E somos todos assim, uns mais que outros… uns abusadoramente mais que a maioria, outros, vá, aceite-se, muito menos “assim”.
O nosso mal não é termos tido seis anos de Governo Sócrates, não é termos sempre um conjunto de partidos de oposição que acham que não têm que governar, como se ninguém tivesse votado neles – que acham que oposição é ser do contra.
O nosso mal não é termos reeleito para Presidente da República um tipo que, quando foi Primeiro Ministro, foi incapaz de fazer ‘pugredir’ o país como podia, um país pequeno, com poucos habitantes e com dinheiro a jorrar como se fosse chuva no Bangladesh.
Nem é termos uma esquerda radical sem ideias, uma esquerda moderada que é de direita, uma social democracia que ninguém percebe ou uns conservadores cujo único objectivo é estar n Governo, seja com quem for, mesmo que sejam Estalinistas, desde que tenham um ministériozito para dirigir.
Os portugueses não sabem o que querem.
Não gostam de nada, mas fingem. Estão sempre chateados. São amorfos e rezingões. São preguiçosos. Queixam-se, mas não reclamam. São mal educados, pouco cívicos e egoístas.
Eu acho que a maioria dos portugueses estava bem antes do 25 de Abril. Gostavam daquilo. E não venham para aqui agora protestar e dizer “eu não! eu não”. É claro que “eu não”. Mas o país é feito de uma massa muito grande de gente, não se arroguem à convicção de que representam o país.
Não representam.
O país não toma banho. O país estaciona atravessado em dois lugares. O país foge aos impostos e queixa-se quando tem que pagar um euro e meio por uma consulta num posto médico. O país faz manifestações sobre o quão mal anda de dinheiro e divulga-a aos amigos por SMS no seu iPhone. O país senta-se no escritório no dia 2 de Janeiro e a primeira coisa que faz é pegar no calendário para ver quando calham os feriados desse ano, para poderem marcar o máximo de pontes possível.
O país quer direitos sem deveres. Quer benefícios sem contribuir. O país, a grande maioria do nosso país, do nosso povo, quer ver a bola, beber cerveja e comer leitão assado e querem ir para a praia três ou quatro meses por ano e que não os chateiem.
Por isso é que o país culpa o Governo. Porque se a culpa é do Governo, o Governo que resolva. Porque os portugueses não têm culpa de nada. Diz-se que são os que mais horas passam por dia no escritório, mas não se diz quanto produzem enquanto lá estão.
Não olhem para mim, que ando a escrever este post há que tempos, no comboio.
Mas muitas vezes, mesmo as pessoas que se queixam de que há pouca iniciativa, de que se produz pouco, de que não se anda para a frente, também passam a vida a escarafunchar o nariz enquanto pensam em nada.
Querem saber em quem votar nas eleições? Não querem. Claro que não querem. Porque até a política o português vê como futebol; há equipas, uma ganha as outras perdem e no fim, vamos para a rua buzinar.
É igual. Não interessa. Só voltam a ligar ao Governo, quando houver bronca. Quando, de repente, o facto de vivermos num país em que toda a gente faz favorzinhos e jeitos aos amigos, dá uns toques ou faz uns arranjinhos nos faz perceber que andamos todos a pagar para isso, que todos contribuimos para institutos que não servem senão para dar emprego a ex-ministros, que pagamos salários a gestores de empresas para quem ninguém olha (porque estão distraídos com o Presidente e não reparam que todo o conselho de administração recebe 300 vezes mais que um salário médio); nessa altura é o caos. O país está como está, por causa do Primeiro Ministro!
É claro. É culpa do Primeiro Ministro.
E assim é fácil, porque vai-se mudando de Primeiro Ministro e nunca se vai mudando o país. Não se mudam os valores das pessoas, não se educa, não se civiliza.
Não somos civilizados por andarmos de carro e termos telemóveis no bolso. Nâo somos civilizados por termos os maiores centros comerciais da Europa ou o melhor treinador de futebol do mundo.
Somos civilizados se nos respeitarmos uns aos outros. Se percebermos que os impostos não são um castigo. São um contributo. Porque se não percebermos isso, nunca vamos exigir que o nosso contributo seja bem aplicado.
Porque as pessoas falam da Islândia e acham que devíamos fazer o mesmo cá. Mas não percebem que cá isso não funciona, porque cá, mais de metade de nós estão-se borrifando. Mais de metade, independentemente de quão fantástico, democrático, justo e competente for qualquer Governo que possamos ter, vão continuar a não contribuir, a aldrabar, roubar, enganar, desviar e tratar da sua vidinha enquanto, nas mesas de café se queixam de que “isto vai mal”.
E se calhar é bem mais de metade.
Não vai ser o PS, o PSD, o CDS, Bloco, PCP ou o raio do Partido Pirata que vão salvar Portugal. Não vai ser o FMI, nem o FEEF, nem a Comunidade Europeia, nem a Finlândia que vão salvar Portugal.
Quem pode salvar Portugal, se é que sequer de um salvamento se trata, são os portugueses. E os portugueses não querem saber. Porque isso é demasiada responsabilidade. Isso implica não aldrabar, não dar a volta, não fazer jeitinho, do assalariado mais vulgar ao mais poderoso Presidente de um Banco. Isso significa que em vez da maioria de nós serem umas bestas egocêntricas e apenas uma mão-cheia de gente ser competente, dedicada, honesta e altruísta, a tendência tem que ser precisamente a oposta.
Temos que ser maioritariamente responsáveis, cívicos, adultos. E deixarmos que, pelo menos uma vez, a corja seja apenas uma fracção da nossa gente.
Portanto, querem saber em quem votar?
Não faço a mais pequena ideia. Mas sei uma coisa: não fará diferença.
Absolutamente nenhuma.

in http://www.macacos.com/2011/05/17/descubra-aqui-em-quem-votar-nas-eleicoes/


04
Mai 11

“Um novo fôlego para Portugal”

No fundo, trata-se de arrumar a casa para encarar o futuro. Um futuro que exige união entre as forças políticas e os portugueses para que o País possa vencer a crise. Um futuro que só será risonho se todos arregaçarem as mangas para trabalhar, com confiança, em prol do bem comum. Este é um momento de refundação de uma Nação, com mais de 850 anos de história, pela qual muitos deram o melhor de si próprios e, tantas vezes, a vida.
in Económico.

Nem mais.


25
Abr 11

Envenenamento mental

Como referiu Fernando Pessoa hoje citado por Jorge Sampaio no Dia da Liberdade:

“Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.
O primeiro passo para uma regeneração, económica ou outra, de Portugal é criarmos um estado de espírito de confiança – mais, de certeza, nessa regeneração.”


18
Abr 11

“Já escolheu em quem votar e anda com uma cara, o infeliz!”

Às vezes, a melhor escolha é a menos má. A Mafalda é que sabe... (cartoon by Quino)


12
Abr 11

Perdoai-os… Eles não sabem o que fazem… (o título é meu, a crónica é do Pedro Santos Guerreiro)

Tem nome de jogador de futebol, é dinamarquês, aterra hoje em Lisboa e vem tratar-nos da saúde.
Poul Thomsen nunca foi eleito mas é ele quem vai governar os que nos vão governar. Devíamos estar assustados. Mas não estaremos afinal aliviados?

Bem-vindo, Poul Thomsen, trazei dinheiro para as nossas dívidas, mas sobretudo trazei pujança contra esta cagança e bom-senso para a nossa liderança. Os que cá estão endoideceram. Continuam a falar de um país que já não existe. E a que eles próprios ajudaram a cavar a sepultura, dançando agora sobre ela, sem pudor nem decência.

A comitiva que hoje aterra em Lisboa, de membros do FMI, BCE e Comissão Europeia, vem consumar o nosso fracasso. Cada degrau que pisem na descida do avião é uma chicotada no nosso orgulho, na nossa autonomia, no nossa autodeterminação. O País está hoje humilhado.

Em vez de uma marcha fúnebre, temos um cortejo de carnaval. José Sócrates conseguiu, dois dias depois de o País se ajoelhar, produzir o seu mais irreal discurso de sempre. O Congresso do PS encenou um triunfalismo que é ofensivo para um País intervencionado. Foi um delírio colectivo triste, um comício com o fanatismo de Vasco Gonçalves, uma propaganda alucinógena. Leni Riefenstahl, a cineasta de Hitler, ter-se-ia comovido.

Os políticos comportam-se como herdeiros que disputam as partilhas de fortuna nenhuma. É preciso um entendimento entre três partidos, que os vai vincular mesmo durante as eleições a medidas de austeridade, mas todas as pontes de contacto estão a ser dinamitadas. O Presidente da República faz de conta que não é nada com ele (imagine que era com Mário Soares: tem alguma dúvida de que já tinha posto esta gente na ordem?). José Sócrates fala de Passos Coelho como se tivesse acabado de lhe dar uma tareia em bilhar de mesa. Passos Coelho “contrata” Nobre para presidente da Assembleia da República e ainda alguém se vai lembrar de José Manuel Coelho na Madeira. Mas não há grande cuidado com a gravidade da situação financeira que atravessamos.

Os 80 ou 90 mil milhões de euros que vamos pedir ainda não estão garantidos. Há muitos países que estão enfurecidos e que falam de nós como de leprosos. As lideranças europeias são hoje fracas e pressionadas pelas suas opiniões públicas. Mesmo a senhora Merkel, que adoramos odiar, deu a cara por nós, em Berlim, nem há um mês. E nós? Desgovernamo-nos em declarações públicas como quem entra num restaurante cheio com uma metralhadora descontrolada na mão.

A principal razão pela qual a Europa nos quer ajudar não se chama Portugal, chama-se Espanha, chama-se euro. Essa é a nossa protecção. Já que não nos sabemos ajudar, ao menos ajudemo-los a ajudar-nos.

Poul Thomsen é, como Hamlet, dinamarquês e verá que há algo de podre neste reino. Portugal falhou. Entrou em bancarrota. Ficou sem dinheiro. Somos a chacota da Europa, nem na desgraça nos unimos. Portugal vai ser, segundo o FMI, o único país do mundo em recessão em 2012. E no entanto, os políticos, as elites, os governantes, agem sem tino. Não chegou terem atirado o País para eleições no pior momento possível. Agora nem para acordarem um pedido de ajuda se entendem.

O País não é todo um coliseu, há muitos sítios onde hoje o orgulho nacional se sente ferido. Na Beira Alta, onde há honra, é costume dizer-se uma frase que um dia Henrique Monteiro usou no “Expresso”: vergonha é não ter vergonha. E ninguém pede desculpa a Portugal.

Pedro Santos Guerreiro in Jornal de Negócios


29
Mar 11

“A revolução islandesa” (artigo do “i”)

Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao fim. Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa para chumbar o resgate dos bancos.

Desde a eclosão da crise, em 2008, os países europeus tentam desesperadamente encontrar soluções económicas para sair da recessão. A nacionalização de bancos privados que abriram bancarrota assim que os grandes bancos privados de investimento nos EUA (como o Lehman Brothers) entraram em colapso é um sonho que muitos europeus não se atrevem a ter. A Islândia não só o teve como o levou mais longe.

Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu nacionalizar os seus três bancos privados – Kaupthing, Landsbanki e Glitnir. Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão. A Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo revoltou-se e saiu à rua.

Lição democrática n.º 1: Pacificamente, os islandeses começaram a concentrar-se, todos os dias, em frente ao Althingi [Parlamento] exigindo a renúncia do governo conservador de Geir H. Haarde em bloco. E conseguiram. Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de 2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde – chefiada por Johanna Sigurdardottir, actual primeira-ministra.

Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando o ano com uma queda de 7%. Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país saiu da recessão – com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro, um crescimento de 1,2%, comparado com o trimestre anterior. Mas os problemas continuaram.

Lição democrática n.º 2: Os clientes dos bancos privados islandeses eram sobretudo estrangeiros – na sua maioria dos EUA e do Reino Unido – e o Landsbanki o que acumulava a maior dívida dos três. Com o colapso do Landsbanki, os governos britânico e holandês entraram em acção, indemnizando os seus cidadãos com 5 mil milhões de dólares [cerca de 3,5 mil milhões de euros] e planeando a cobrança desses valores à Islândia.

Algum do dinheiro para pagar essa dívida virá directamente do Landsbanki, que está neste momento a vender os seus bens. Porém, o relatório de uma empresa de consultoria privada mostra que isso apenas cobrirá entre 200 mil e 2 mil milhões de dólares. O resto teria de ser pago pela Islândia, agora detentora do banco. Só que, mais uma vez, o povo saiu à rua. Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das indemnizações – que corresponde a 6 mil dólares por cada um dos 320 mil habitantes do país, a ser pago mensalmente por cada família a 15 anos, com juros de 5,5%. A 16 de Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei e fez renascer a revolta popular. Depois de vários dias em protesto na capital, Reiquiavique, o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson, recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.

Lição democrática n.º 3: As últimas sondagens mostram que as intenções de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011. Enquanto o país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser responsabilizados – muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a investigar estes crimes sem rosto (até agora).

Na semana passada, a Interpol abriu uma caça a Sigurdur Einarsson, ex-presidente-executivo do Kaupthing. Einarsson é suspeito de fraude e de falsificação de documentos e, segundo a imprensa islandesa, terá dito ao procurador-geral do país que está disposto a regressar à Islândia para ajudar nas investigações se lhe for prometido que não é preso.

Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular: a coligação aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, etc. A nova Constituição será inspirada na da Dinamarca e, entre outras coisas, incluirá um novo projecto de lei, o Initiative Media – que visa tornar o país porto seguro para jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas, provedores de internet. É a lição número 4 ao mundo, de uma lista que não parece dar tréguas: é que toda a revolução islandesa está a passar despercebida nos media internacionais.

(Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/113267-islandia-o-povo-e-quem-mais-ordena-e-ja-tirou-o-pais-da-recessao)

Temos muito que aprender!


17
Fev 11

1000 euros de salário mínimo

Aquilo que venho propor hoje é um exercício mental. Proponho que se considere as vantagens e desvantagens da subida, num futuro próximo, do salário mínimo para os 1000 euros mensais.

Eu sei que isto parece utópico ou mesmo um pensamento delirante mas proponho que se siga esta linha de pensamento:

  • Actualmente o nosso mercado interno tem a beneficiar com o aumento do poder de compra do cidadão português;
  • O primeiro sector económico a beneficiar de um aumento deste poder de compra seria o comércio;
  • Por salário mínimo não me refiro a rendimento mínimo ou rendimento de inserção.

Tendo isto a proposta seria que se aumentasse o salário mínimo aos trabalhadores do comércio para 1000€ mensais pois este é o primeiro sector a beneficiar. A proposta é que se alargue o salário mínimo aos restantes sectores posteriormente e de forma faseada.

As vantagens que encontro numa medida destas seria que o mercado interno crescesse de imediato, levando mais dinheiro a toda a economia interna; as pessoas com problemas de crédito conseguiriam começar a pagar ao banco, permitindo que estes dessem melhores condições ao patronato do sector do comércio para adoptar esta medida; empresas portuguesas poderiam ficar mais competitivas.

Existiriam claro algumas desvantagens e para já só me lembro de uma que seria o facto da nossa balança comercial baixar outra vez para o negativo porque os portugueses começariam outra vez a comprar mais produtos importados.

E mais vantagens? E desvantagens?

Conseguir-se-ia implementar esta medida?


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